quarta-feira, 1 de junho de 2011

O governador sem discurso


O Jornal do Almoço de ontem mostrou o protesto dos professores em Lages, segunda à noite, diante do governador Raimundo Colombo. O governador apareceu meio de lado, falando alguma coisa incompreensível, com som ruim, provavelmente para rádios ou outras emissoras de TV. É claro que não entrevistar o governador nessa ocasião foi uma falha da RBS. Ou, se entrevistou, errou em não mostrar nem um trechinho do que o governador falou. Ainda mais porque uma das faixas cobrava “serrano que é serrano cumpre a lei”. Não é possível que Colombo não tivesse nada a dizer sobre isso.
Contudo, a imagem que foi mostrada ilustra bem o momento que vive o governador catarinense. Não está conseguindo falar com a população. No máximo parece resmungar alguma ladainha sem grande interesse.
Olhando aqui de longe tem-se a impressão que o governador está perdendo algumas batalhas, na guerra da comunicação. E parece que, em alguns casos, simplesmente nem há luta. A toalha é jogada no tatame antes de qualquer confronto. Para quem estuda e se preocupa com comunicação institucional, assessoria de imprensa e relações públicas, a estratégia do governo catarinense nessa área não está clara. Ao contrário, tudo soa muito estranho.
O governo está sendo pautado pelos acontecimentos e não consegue fazer-se ouvir. Mas também, pelo pouco que se ouve, não tem novidades a apresentar. Como fazer para chamar à razão, com sussurros tímidos, uma categoria que foi mobilizada por discursos inflamados enquanto o governador passeava na Europa?
As reivindicações salariais e de correção dos planos de carreira dos servidores são questões permanentes que se arrastam há décadas. Luiz Henrique deparou-se com elas já nos primeiros meses do seu primeiro mandato. Por oito anos LHS driblou as crises do funcionalismo, adiando o estouro. Colombo pegou o bonde andando e também vai tentar ganhar tempo. Fará tudo para que a crise atual ainda não seja o grande terremoto que se anuncia há tantos anos. Mas ele virá.
E por que os governos não solucionam os problemas do funcionalismo? Porque não conseguem. Simples assim. E não conseguem, em grande parte, porque não podem.
Não tem como mexer nos altos salários (direitos adquiridos, etc e tal), não tem como reduzir a folha (servidores públicos são estáveis, certo?), é quase impossível mexer na legislação que rege o funcionalismo (para tirar, por exemplo, a gratificação por tempo de serviço), não tem como tornar a “máquina” eficiente, porque justamente as funções principais, as chefias, são ocupadas, em grande parte, por gente inexperiente que está ali porque faz parte de um grupo político. Está ocupando espaço, mas não exerce qualquer função relevante para o funcionamento estatal. E quando começa a aprender alguma coisa, sai para se candidatar, ou para outra função melhor remunerada. Ou mesmo para voltar à sua atividade principal: ser cabo eleitoral.
As “equipes de governo” passam a maior parte do tempo ocupadas com tarefas relacionadas com a próxima eleição, com as carreiras políticas, com os acordos políticos, com o atendimento aos aliados (que fazem todo tipo de pressão e são mais perigosos que os opositores). Sem falar de outras ocupações que eventualmente mobilizam a “equipe”, mas que nada têm a ver com a administração propriamente dita.
Diante disso tudo, ou mesmo por causa disso tudo, o governo teria que montar uma estratégia inteligente de comunicação que levasse, ao eleitor/contribuinte, o contraponto ao que grevistas, servidores em campanha e outras vozes andam espalhando. E o governador teria de agir de acordo com essa estratégia. Se ela existisse. Para mostrar que está no controle pelo menos do seu governo, que tem discurso e sabe para onde vai.
Esta viagem a Brasília, para fazer ao ministro da Educação um pedido que soa como súplica e que, segundo o próprio governo, tem mínimas chances de atendimento, é uma boa demonstração de como o governo está desorientado. E isso também é problema de comunicação, porque a leitura que o eleitor/contribuinte faz dessas ações vai influenciar diretamente na imagem que ele tem do governo.
Também está nas ruas e na boca do povo, desde ontem, a informação que se o governo Dilma não der um reforço de caixa, o governo Colombo fica no mato, sem cachorro. Se é verdade ou mentira, pouco importa: quantos acreditam que o governo seja capaz de resolver sozinho o imbroglio se a Dilma der as costas e disser “te vira”?
E se o governo federal atender à súplica e estender a mão amiga? Aí, como se dizia antigamente em Florianópolis, “vai ficar muito bonito pra tua cara”. Típica situação de “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.
O cenário não é dos melhores. Como diz o próprio secretário de Comunicação dos governos LHS e Colombo, Derly Anunciação, “o modelo está falido, não tem solução”. Para ele, “os governos têm que parar de gerar expectativas que não irão cumprir”. Isso soa um pouco estranho, ao ser dito por alguém que coordenou campanhas eleitorais onde foram criadas várias expectativas (em geral, numa eleição, vence quem cria maiores e mais espetaculares expectativas). E onde nem se mencionou a impossibilidade de resolver os problemas dos servidores.

Um dos maiores ralis de regularidade do país tem seu percurso definido e trilhas novas.

A cada ano a SC Racing inova na preparação do Transcatarina, seja em seu percurso ou na organização do evento e em 2011 não será diferente. O diretor de prova Wagner Souza adiantou alguns detalhes sobre os primeiros dias do rali e uma nova dupla do interior de São Paulo conta os dias para o desafio.

Cerca de 800 quilômetros de trechos cronometrados entre a serra de Santa Catarina e o litoral do estado aguardam os mais de 150 jipes vindos de todos os cantos do Brasil. O trajeto é cem por cento inédito, com travessias de rios, descidas de serra em regiões de cânions, centenas de balaios e laços em alta velocidade. A primeira partida a ser dada será no prólogo no dia 13 de julho, onde será definido o grid de largada, tudo em Fraiburgo. Os competidores irão percorrer um pequeno trecho em uma fazenda e a outra parte com direito a espectadores: “A prefeitura de Fraiburgo está preparando um terreno onde o público da cidade poderá acompanhar os jipes em ação, mais de perto”, afirma Wagner.

Na manhã seguinte, no dia 14 de julho, as equipes de nove estados confirmados no 3º Transcatarina partem rumo a São Cristóvão do Sul, 1ª etapa do rali. Segundo o diretor de prova, pilotos e navegadores percorrerão trilhas em fazendas de maçã em Fraiburgo, atravessarão o Rio Despraiado, com 150 metros de largura e depois enfrentarão mais algumas áreas de reflorestamento até São Cristóvão do Sul.

Na tarde do dia 14, os carros terão de cumprir a 2ª etapa de provas, indo até Lages. Até lá, mais desafios: “O pessoal irá passar por duas boas fazendas com estradas excelentes que nos permitiu colocar alguns laços com velocidades bem altas. Em seguida, as equipes irão descer um cânion entre essas fazendas, passando por belas trilhas”, complementa Wagner.

Como em todos os anos, o frio será o maior companheiro de todos. A previsão é de geada em alguns pontos por onde irá passar o rali. Como prevenção, a SC Racing recomenda que as equipes levem lubrificantes e fluidos para os carros ligarem mais fácil pela manhã, principalmente os com motor a diesel. Em 2010, muitas duplas tiveram problemas para ligar seus carros nas manhãs frias e de geada. E tem uma equipe do interior de São Paulo que já está se prevenindo de todos os desafios possíveis. Os irmãos Emanuel e Leonardo, de Paulínia, escolheram o 3º Transcatarina para voltarem ao off road.

A dupla competiu por muitos anos um campeonato na região sudeste e há seis está parada. Os irmãos decidiram arrumar o Engesa da família e voltar em um grande rali no sul do país: “Sabemos que a prova será difícil, com muito barro, frio e médias de velocidade alta, mas estamos nos preparando e vendo todos os detalhes para sairmos bem na prova”, afirma o piloto Emanuel Santana da Silva.

Do estado de São Paulo estão confirmadas mais 13 equipes. Especificamente a dupla de Paulínia não quer saber de imprevistos e promete andar na frente: “Vimos alguns vídeos das edições anteriores e barro é o que não vai faltar! Também percebi que no Transcatarina os navegadores trabalham bastante! Mas eu e o meu irmão gostamos de provas assim, rápidas e com muitos obstáculos. No primeiro dia vamos experimentar o rali, mas já a partir do segundo é andar pra chegar em primeiro, sempre lembrando que nosso objetivo é completar o desafio por completo”, finaliza Leonardo.

Quem quiser participar desta aventura ainda pode se inscrever nas categorias Turismo Adventure e Turismo Light. Todos os detalhes podem ser conferidos pelo site www.transcatarina.com.br. Veja abaixo a programação das etapas:

Quarta-feira, dia 13 de julho
Prólogo em Fraiburgo

Quinta-feira, dia 14 de julho
1ª etapa (manhã) – Fraiburgo a São Cristóvão do Sul
2ª etapa (tarde) – São Cristóvão do Sul a Lages

Sexta-feira, dia 15 de julho
3ª etapa (manhã) – Lages a Otacílio Costa
4ª etapa (tarde) – Otacílio Costa a Rio do Sul

Sábado, dia 16 de julho
5ª etapa (manhã) – Rio do Sul a Apiúna
6ª etapa (tarde) – Apiúna a Balneário Camboriú
O Transcatarina 2011 tem o patrocínio: Ensimec, Hotel Renar, Hankook Pneus e Troller.
Apoio: Prefeitura de Balneário Camboriú, Prefeitura de Lages, Prefeitura de Rio do Sul, Prefeitura de Fraiburgo, Prefeitura de Atalanta, Prefeitura de Apiúna, Prefeitura de São Cristovão do Sul, Lave Bem Lavanderia, Recanto das Águas Resort e Spa, Grafimax, Revista Planeta Off Road, Licia, Blukit, Posto Brasília/Ipiranga, Ativa Comunicação, ATF Embreagens, Astra Embreagens, Trilha SC Troller, Amortecedores Offshox e Reunidas.